Pêro, o assassinado

Nasceu da mãe Minês e do pai Jardel, em ninhada do melhor capítulo mas, toda ela, destinada à tragédia. Foi um dos escolhidos para ficar em casa e prosseguir o brilhante desempenho do seu progenitor.
Com seis meses de idade ia já ao campo, e aprendera as rigorosas leis da disciplina e da obediência.
Bela cabeça, a sua! Pêro prometia muito, era o espelho do orgulho do seu criador e dono.
Mas o drama ocorreu na ausência deste, antes ainda de saborear o aroma das codornizes e da pólvora dos cartuchos. A quinta era povoada de cães e cadelas, e uma destas entrou em cio...
Os machos seguiram o instinto sem perdão, somente animalesco. Pêro já estava no tempo, era moço de calores, mas sem argumentos de corpulência para ombrear com os demais da companhia. Numa certa manhã foi encontrado estendido no meio do terreiro, esventrado e moribundo.
Chamaram o dono e o Pêro de imediato seguiu para a clínica veterinária. Depois foi um tremendo combate de uma semana pela sua vida. Infelizmente perdido, os ferimentos eram profundos, as suas entranhas estava num caos.
Restaram a sua memória, as suas cores, o camurça e o branco da sua fronte; a expressão que só um perdigueiro tem, a sua imensa simpatia. Tudo era agora uma recordação, uma vida ceifada precocemente, o vislumbre de onde poderia ter chegado e não chegou. Houve facilitismo e a ausência (há que o reconhecer) de quem o pouparia a tanto sofrimento.

