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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

A revolta em Areias do Vilar

João-Afonso Machado, 05.09.23

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O século passado o Cávado junto àquela levada vivia esganado pelo diabo em corpo de diárias dezenas de pessoas. Passavam-se as tardes à sombra das acácias nas margens; as águas tranquilas descobriam a careca dos penedos e a criançada chapinhava...; a azenha fora transformada em bar e o brilho de incontáveis garrafas coriscava ao sol... O alarido mescláva-se de música e vozes alarves. E até uma piscina se escavara nas redondezas, dois palmos de um líquido talvez micção humana, talvez restos pluviais e estranhamente flutuados. Tudo muito nauseabundo.

Até que o Cávado se ergueu em armas e proclamou a sua independência, decerto aproveitando alguma tempestade. A corrente veio por ali abaixo e tragou o bar. O açude irou-se em espuma e submergiram os penedos. A força das águas assusta e afasta. Da piscina ficaram fracturas no cimento e muitas silvas laborando a sua venerabilidade arqueológica.

Para quem chega, um basto cartaz dos bombeiros de Barcelos alertando os perigos mortais do rio em Areias de Vilar. Com um número telefónico de emergência em destaque.

Teve de ser assim, de outro jeito a multidão afogaria mictoriamente o Cávado. Agora é ele apenas a falar, com outra harmonia, é claro. E uns tantos achigãs (hoje em dia há achigãs até no tanque de lavar a roupa...) que vem golfando cá para fora, a premiar os mais compenetrados.