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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

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(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

A Taberna Dom Egas (Fafe)

João-Afonso Machado, 19.12.23

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Foi uma breve estadia nesta cidade. No Hotel Fafense, de excelente qualidade, onde para comer me recomendaram a Taberna Dom Egas, na Praceta Egas Moniz. E eu por tabernas...

Ali almocei. Da primeira vez, vitela assada à moda de Fafe, um autêntico pitéu; da segunda, bacalhau recheado. E em ambos, a regá-las, o vinho da casa, oriundo de Celorico de Basto, um branco de transição, suave e adocicado.

Mas tornemos à vitela, de ímpar carne tenra, saborosa, acompanhada a batatas assadas e verdura por aí fora; e ao bacalhau, às suas grossas lascas, descascadas de espinhas, sem mais nem menos sal. Foi só deglutir esse minério sem necessidade de o escavar de partes duras. Vinha com batatas fritas às rodelas, muita cebola, o prato de eleição! Deixado a um canto vazio e triste, pobretanas até para os gatos. Sobremesas como o leite-creme queimado e o pudim do Abade de Priscos complementaram os dois almoços e sentaram-me mais confortável no cadeirão minhoto, que é o da minha Província, já também a do Senhor meu Pai.

(A propósito, venho descobrindo a idiotice de chamarem Minho aos distritos de Braga e Viana. Tão-somente! Pronto, daí nasce uma nova guerra para eu guerrear, que o Minho nasce onde o Porto acaba e só pára na fronteira espanhola - com pesar dos galegos - ou nas evidências da região demarcada do Alto Douro...)

Mas dois dias em Fafe foram sempre de opíparos almoços na Taberna Dom Egas. É um espaço amplo, de todo dedicado à comida regional e tradicional. Data de 1991 a sua inauguração, então servindo comeres brasileiros... A moda não pegou - e a taberna não demorou a tomar o bom rumo.

Conheci-a sempre com a casa cheia. São comensais os fafenses e, às quartas (dia de feira), lotes de gente das redondezas, como em fins de semana fileiras de espanhois e mesmo outros especímens estrangeiros. Abre para o almoço e só fecha depois do jantar porque as tardes são, para tantos, de petiscada. Conforme a sua vocação... E por isso emprega 14 pessoas a tempo inteiro, a que amiúde acresce a segunda linha de reservas laborais. 

Em suma, a marca "Dom Egas" é prestigiada. Sobejamente procurada em marés de emigrantes; e pelos artistas que vêm a Fafe, sejam eles do teatro, da música ou do futebol... Mesmo os da Política não dispensam passar por lá!

E em tudo, desde os pratos às sobremesas, o produto é por inteiro da casa!

Esta - sempre cheia, mas sempre também com lugar para quem chega. Como hoje, dia em que escrevo, e ontem também. Diante mim o Sr. Francisco Costa Moura, o proprietário, a quem só tenho de agradecer a sua amabilidade condimentada em conversas sobre caça aqui na vizinhança - conversas tão sérias e profíquas que trocámos  números de telefone porque, se Deus quiser, para o ano cá nos encontraremos para umas perdizes, uns coelhitos!