Breves notas sobre o Famalicão-Benfica

I - Corria sem parança a onda de entusiasmo. Ainda na entrada para o estádio. O balde de água fria só tombou quando o vigilante, categoricamente, disse serem proibidas máquinas fotográficas "com objectiva" lá dentro. Nunca tal acontecera! Então! - como vou eu registar os golos? Com o medo dos profissionais, não vá alguém apresentar melhor trabalho? Nada feito: nos jogos seguintes já poderia usá-la... Assim me fiquei pelo retrato tosco dos telemóveis.
II - Grande vitória! Foram duas rolhas de espumante na baliza benfiquista, uma a abrir o prélio, a outra no preciso momento do seu fecho. Jogos destes fins de tarde assim, valem bem o custo ensurdecedor da multidão. Ainda por cima em bancada à sombra, logo em baixo do camarote presidencial, onde os dirigentes famalicenses respeitavam em silêncio o amargurado Rui Costa e o seu tão prolongado velório.
III - Roendo as unhas, em sentido junto ao banco, Schmidt não tugia nem mugia. Nem mesmo quando mais uma bola estrondeou na sua trave. O Famalicão - apercebia-se ele - tinha o jogo não mão.
IV - O estádio cheio. O omnipresente adepto que tresanda a tabaco não deixou de comparecer no seu lugar, uma fila abaixo de onde me sento. Fumou muito menos, não estava com má cara e não foi além de um monumental «palhaço!» com que mimoseou o árbitro. Enquanto tal, duzias de meninas passeavam os seus dotes fisicos no corredor entre a bancada e a vedação do campo.
V - Excelente relvado e um jogo inesquecível! Aliás, conforme a minha matinal previsão: o Famalicão ganharia. Ainda hei de beneficiar algo com estes dotes premonitórios. Ou então, as coisas são demasiadamente óbvias: temos equipa e o Benfica vive pelas ruas da amargura.