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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

O meu mestre Antero do Quental

João-Afonso Machado, 06.09.24

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Imperdoavelmente, meses e anos fui deixando esquecer o Antero. (Ou eu próprio...) O seu pensamento, a minha fidelidade ao Mestre. Santo Antero!  - o pai do português humanismo contemporâneo! Não fora esse almoço em restaurante no largo que tem o seu nome, em Vila do Conde.

Visitei a sua casa - dita museu. Que do grande Antero do Quental nada guarda, porque o grande Antero do Quental nada guardou, posto nada ter. Teve, sim, nesta Vila do Conde palradora de hoje, dez anos de paz corridos entre dunas, areais, o mar e umas visitas a Oliveira Martins, no Porto.

Como um bramir de mar tempestuoso/Que até aos céus arroja os seus cachões,/Através duma luz de exaltações,/Rodeia-me o Universo monstruoso...»)

O homem, enérgico quão frágil, renova-me forças. O que é ter? O que é ser? De desilusão em desilusão, de Nova Iorque a Paris, Antero procurou, procurou, sem alcançar resposta.

Só no meu coração, que sondo e meço,/Não sei que voz, que eu mesmo desconheço,/Em segredo protesta e afirma o Bem!»)

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A casa do Antero não ostenta quaisquer móveis ou recordações. Aberta ao público é, verdadeiramente, uma galeria de arte. Tal qual Antero é, "somente", o seu pensamento e a sua poesia. E alguns seus seguidores, a gente que não se ficou pelas notícias dos jornais, crentes no Além... Estou aí.

Eu sou o teu filho! A um filho desgraçado/Que há-de um pai recusar? Oh, dá-me ânimo/Estende-me tua mão por sobre o abismo!»)

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Vila do Conde, nos seus interstícios, é a minha Vila do Conde. O abraço a Antero. Não é o tempo balnear, é a Alma. É o Pensamento, o nascente da vida, quiçá o seu poente também.