Manresa (na Catalunha)
A cidade olha-se a si mesma de elevação para elevação e desce aos fossos cavados nos intervalos. Talvez em torno de La Ceu (a Sé) e por isso a rodeei, rodeei, noite e dia, à procura do ângulo que melhor realçasse a sua humilde grandeza de diocese sem bispo.

É Manresa a capital da Catalunha Central e é populosa, industrial e poluída. Que o diga o pobrezinho rio Cadorner, de águas tão pouco lavadas

sob a ponte medieval (Vell, de seu nome) em que me perdi nos vagares do espírito tantas horas a fio.

E é também um marco fundamental na caminhada de Inácio de Loyola rumo à formação da Companhia de Jesus e à sua (dele) canonização. As suas pegadas brotam por toda a parte, desde logo em La Cova, lugar das profundezas da meditação desse que fora antes um guerreiro.

Poderia citar muitos indícios mais. Mas fico-me apenas pela nota da devoção e dos propósitos exegéticos do local, a razão, bem vistas as coisas, que me levou lá, a esse fundo de onde o mundo emergiu outro, muito anteposto entre fidelidades e manhas persecutórias no andar da História.
Deste monte para o vizinho fui decifrando sinais do moderno remedeio de vida,

outros de pobreza indisfarçável.

Alguns, ainda, de instantes simples, despreocupados e longe de horários.

Manda a regra, não deixaria jamais de visitar a Plaça Major onde se sedia o ayuntamento. Até lá, os tais bairros pelintras fartamente habitados por muçulmanos. Vindos de onde não averiguei,

somente fui informado de trabalharem maioritariamente em Barcelona, para onde se deslocam de comboio.

(O domicilio em Manresa é, pois, uma questão de orçamento familiar contendendo com rendas mais baixas..)
Em vez da rabujice, uma pitada de bom humor. Assim pensarão os proprietários dos bastos edifícios para venda, aos quais mantém a vida com uma trincha, cores e a imaginação bastante.

Percebe-se, o agregado ainda vivo, sarapintado, posto em arranjos e indiscrições à janela. Chovera, a atrasar a secagem da roupa.

Mas os momentos piores só antecedem os melhores. A manhã não findaria em Manresa sem a boa disposição do arco-iris e do seu eco

e a tarde prosseguiria em demanda do despojamento de Inácio de Loyola.

Num desses morros onde permaneci quatro dias sobre a enigmática La Cova, luz frouxa de pensar encadeado em buscas, assim sejam iluminadas por quem nos dá luz.