Poleiro de reflexão

Dona Mécia, está visto, não gosta de escadas sem corrimão e de degraus escorregadios. E com Dulce todo o cuidado é pouco nas varandas altas. Assim os sonhos oscilam e derramam telheiros, e as ilusões se esvaem numa diagonal instável e cansada. A granítica muralha é, na realidade, um lugar demasiadamente passageiro, quase abalando a honorabilidade da História. Será esta um frigorífico? Uma fornalha?
Uma ruina? Um projecto?
Em que capítulo da História surgem e figuram Dona Mécia e Dulce? E com ou sem direito a um registo perpétuo?
É que será mesmo de recusar viver enquanto não for dada cabal resposta a tantas interrogações... Ou esperar, como qualquer galináceo empoleirado.