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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

A Picha (Pedrógão Grande)

João-Afonso Machado, 19.07.25

Ao longo da EN2 descobrem-se lugares assim, opíparos banquetes para a galhofa dos motards portugueses. Dos nossos motoqueiros, bem vistas as coisas o designativo que melhor lhes assenta. O raid não seria verdadeiramente um raid sem a boquita malandrona e as coisinhas escritas ou coladas nas paredes e nos marcos ou placas.

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Disso logo se apercebeu o concessionário e proprietário do Café Restaurante da Picha, ao km 310 da nossa mais famosa route.  No Pedrogão  Grande, onde o distrito de Leiria faz um bico entre os de Coimbra e Castelo Branco. (Quim Barreiros bebendo o seu matinal moscatel ao balcão, vindo na excursão que largou cedo do Alto Minho, juraria que congemina poemas fáceis, exitos futuros da sua concertina...)

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Mais a mais, a povoação ao lado dá pelo nome de Venda da Gaita

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e as suas gentes hão de ultrapassar em número os escondidos da Picha, que são 50 invisíveis personagens num exíguo aglomerado de casas. Onde andariam eles? Ocultos atrás das moitas? Virados silenciosamente para as paredes? De cócoras?...

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Consta que eram, ou continuam a ser, um povo de lenhadores. Porque "pichas" se apelidarão os vasos que sustém a escorrência da resina dos pinheiros. Pronuncie-se quem for dotado e vá mais longe em filologia.

Mas a alva capela da Picha é, no presente, assaz utilizada em casamentos, preguiçando ao sol, toda limpinha, entre a celebração de um e a do próximo. Em volta dela, mais do mesmo - sem que se vislumbre vivalma. Lá em baixo, no Café da Picha, os folgazões dão largas à sua boa disposição e atiram abaixo o último caneco. E, saciados enfim, prosseguem troando o seu destino. (Velho Quim Barreiros, se não eras tu era um sósia teu, poeta da mesma igualha...)