Na agosteira agonia

Dois senhores minhotos, dos poucos que restam como os de outros tempos, em volta das suas canecas de cerveja na esplanada da Brasileira, dão-se conta da invasão: Braga, a capital do seu distrito, foi definitivamente conquistada pelos exércitos galegos e os seus aliados luso-franceses.
(Ruben A. ironizava com «as pastelarias das praças da república de todas as vilas do norte». É. E reconhecia também - «O homem-massa transformar-se-á num novo espectáculo de jardim zoológico»...)
A simpatia da jovem que servia às mesas ia muito para além do normal. Promissoramente bonita, logo lhe recomendaram um lugar no cortejo das Festas da Agonia, na Viana da Foz do Lima. Sorriu e agradeceu. Aquela «praça da república» sobrelotava-se para uma noite de «jardim zoológico» fatalmente prolongada. O invasor controlava o burgo artéria por artéria. Instalou forte dispositivo ofensivo no Largo Carlos Amarante. Está na expressão colectiva, Braga é deles, Braga que se prepare para o saque.
S. Marcos, resignado, caminha já no suplício, flagelam-no brincadeirinhas de esquisitos idiomas, traquinices luso-francesas, - as piores - perrices e infindos telemóveis apontados ao seu habitual recato. Mortificam-no centenares de corpos mais nus do que calçados, piercings e tatoos sintomáticos das hordas pagãs.
Agosto é entrementes moribundo. A ventoínha dá-lhe algum conforto, porém, já não arde em febre. E dois senhores minhotos, dos pouquissímos que restam, dando o último gole de cerveja, comentam com um certo alívio - Vai morrer, não passa desta noite... - E, obervando os esquadrões inimigos, logo acrescentam - Mas as exéquias serão longas...

