Fonte e hidrofenómenos de Ançã
Terra de água. De fontes, córregos e moinhos. Lá em baixo, no fundo da vila. Ançã, ribeiras que amolecem o calcário e o tornam pedra sua. Única.

O ano tem muitos dias, é seco e chuvoso, ganha e perde cores. Estamos no Outono e a fonte de Ançã, cheia de força, lança à superfície mais de 20.000 litros de água por minuto. Haverá outra assim fecunda? O não parar da corrente transvia-se por canais diversos. Atapetados de verde cantador e poldras a dançar. Uma sinfonia, dizem-me.

Um labirinto. Estreitos percursos e pés atentos. Açudes, hidrovias complicadas e o moinho, além do mais, tudo guardado na história. São minusculos os postigos do sobrevivente e os degrauzinhos pertencem aos andarilhos como as condutas à escorrência da água.

O bosque mais além testemunha, quanta gente, quanto mar doce! Maior sinal de eternidade não existirá...
Ançã é o tempo impossivel de medir e as pessoas que os anos já não quantificam. Tal é o já ido. Mas, de olhar na fonte fértil e furiosa, - tanto por vir ainda!

