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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

A História

João-Afonso Machado, 01.01.26

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Ao deixar para trás a ignota e mortal Patagónia, Fernão de Magalhães descobriu então, e decifrou, o labirinto por onde encurtaria caminhos entre o Atlântico e o Pacífico. Ficou esse quebra-cabeças baptizado com o seu nome: o estreito de Magalhães. E no oceano maior, aí chegado, gastaria meses e vidas, e ratazanas e serrim, improviso de alimento para não perder a marinhagem toda. Até que certo dia avistou terra, consumando a sua proeza e a sua fé. Apaixonado por esta saga, Stefan Zweig relatou-a em pormenor e elevou-a aos cumes da «capacidade de sofrimento a que chamamos História».

O ano de 2025 sofreu e cansado morreu, vão lá poucas horas. Esgotou a sua capacidade, produziu a sua História, assim construindo o seu legado. Não é que 2026 vá fazer muito diferente, ou melhor até. Somente o sol descerá mais cedo no combate ao sofrimento. Mas permanecerá a realização da História, orgulhosamente na contra-revolucionária revolução.

É bem dito - "a contra-revolucionária". Porque a contrariar um inevitável ciclo de existência. Recomendar-se-ia António Sardinha, a este propósito, mas o dia não calha para grandes teorizações. Anda-se cada vez mais hesitante (lucidamente hesitante...) entre as águas dos mares e os picos onde o tempo se perde no horizonte. É assim a vida e o fim de cada um. Como Magalhães e as naus da sua frota - guiando-nos pela intuição.