Às armas!

O dia acordou numa notícia audaciosa e provocatória, como se isto fosse uma venezuela qualquer - vinha aí um candidato a presidente da república, era a invasão, para mais comandada por um almirante.
Dado o alarme, porém, seguiu-se uma pronta reacção defensiva. Foram fechadas as fronteiras com a rua e recolhida a ponte levadiça da varanda deste primeiro andar. Verificou-se o stock de munições, considerado satisfatório, e o armamento disponível. Chegaria... Depois procedeu-se à evacuação dos idosos, gatos já não há e Dona Mécia, muito trôpega e temerosa, foi conduzida aos seus aposentos.
O canhão principal apontado à porta de entrada e as colubrinas estrategicamente dispostas nas janelas, cuja vigilância ficou a cargo da imparável Dulce.
A bandeira nacional subiu orgulhosa no mastro e o ânimo geral era o de por ela morrer heroicamente.
Porque é melhor assim. Esta cáfila de malandros bombardeia há meses a Nação, esgatanhando-se uns aos outros e mentindo com descaro. Que fiquem lá com a presidência, dividam-na entre todos, uma semana à vez, como fazem os pais separados com os filhos.
Sendo, obviamente, que por aqui não há filhos da república, um dado mais a declarar - ainda por cima! - nas urnas em um domingo para breve. Uma maçada, enfim, esta epidemia que pendularmente vai e vem.