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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Às armas!

João-Afonso Machado, 14.01.26

BANDEIRA DA SALA.JPG

O dia acordou numa notícia audaciosa e provocatória, como se isto fosse uma venezuela qualquer - vinha aí um candidato a presidente da república, era a invasão, para mais comandada por um almirante.

Dado o alarme, porém, seguiu-se uma pronta reacção defensiva. Foram fechadas as fronteiras com a rua e recolhida a ponte levadiça da varanda deste primeiro andar. Verificou-se o stock de munições, considerado satisfatório, e o armamento disponível. Chegaria... Depois procedeu-se à evacuação dos idosos, gatos já não há e Dona Mécia, muito trôpega e temerosa, foi conduzida aos seus aposentos.

O canhão principal apontado à porta de entrada e as colubrinas estrategicamente dispostas nas janelas, cuja vigilância ficou a cargo da imparável Dulce.

A bandeira nacional subiu orgulhosa no mastro e o ânimo geral era o de por ela morrer heroicamente.

Porque é melhor assim. Esta cáfila de malandros bombardeia há meses a Nação, esgatanhando-se uns aos outros e mentindo com descaro. Que fiquem lá com a presidência, dividam-na entre todos, uma semana à vez, como fazem os pais separados com os filhos.

Sendo, obviamente, que por aqui não há filhos da república, um dado mais a declarar - ainda por cima! - nas urnas em um domingo para breve. Uma maçada, enfim, esta epidemia que pendularmente vai e vem. 

 

"In Memoriam"

João-Afonso Machado, 10.01.26

R. BARÃO TROVISQUEIRA.JPG

O meu sonho Miquinhas

mais querida –

o meu sonho desenha-se em ti

 

mas não sei Miquinhas

se inda estás aí.

 

E se não estiveres Miquinhas

de mãos em linhas e no enredo do retrós,

lembra-as, as mãos minhas,

desfiando o segredo

que eramos nós.

 

Pois...

João-Afonso Machado, 05.01.26

R. CARPINTEIROS DE MACHADO.JPG

... É a armadilha do Progresso, conceito de fisionomia humana e espantosamente falante por números e caminhos de meia voz. Caminhos milhentos, plenos de setas que apontam em todos os sentidos e desnorteiam, um mundo inteiro que simplifica enquanto não submete. Aos berros mudos. E onde uma obra toda, trabalho de meses e até anos, se pode perder num enganoso toque em uma qualquer tecla miserável.

Mas já não se vive de outro modo. Desaprendeu-se. A actual fantasmagoria chama-se Apagão. E o computador, inopinadamente, declarou-se desprovido de Word. Logo no início de 2026, a fazerem greve os fiozinhos e a puta da Tecnologia, sindicalistas apostados em afirmar o seu mando sobre o seu dono.

Que o Homem se levante e se retome! Edgar Morin nasceu em 1921 e ainda escreve e atribui a sua longevidade «à busca da qualidade poética da vida»...