De costas (marítimas)

O areal é lenha trazida nas correntes do mar e atiradas fora pelas ondas; acumulada por todos os meses em que a limpeza não for uma exigência dos tempos propícios à "praia".
Por ora, são propriedade da curiosidade e da sanha vagabunda de uns tantos. - Que poderemos descobrir de proveitoso entre esta carga que o mar deu à costa? - interrogam-se, ávidos e eufóricos.
E buscam. Plásticos, chapas, quaisquer artefactos e utilidades. Não desprezariam até o macabro encontro com um cadáver, fosse ele de um animal, a vida vive-se na atracção-repulsa da morte. Tudo observo nesse mundo sem vozes, senão as dos penedos doridos e da espuma na areia. E talvez prefira...
... Talvez prefira esta braveza espontânea, a praia por conta de andrajosos, um deserto e a salgadeira ao lado, surpresas todas deprimentes. É menos cansativo, serve o meu apetite de fazer nada e está povoado de gaivotas e gaivinas, de pilritos e até de pombinhas - com direito ao brilharete de, ali, ninguém incomodarem.




