A maternidade de Minês

Estava-se em 2011 e tinha de ser agora. O Jardel envelhecera muito e a sua descendência tornou-se um imperativo. Foi até necessário auxiliá-lo, firmar-lhe as pernas traseiras, todos entenderão a cena. Enfim, não se negará uma certa promiscuidade neste grande momento da vida amorosa do Jardel, à qual sobreviveu uns meses apenas.
E num instante a ninhada veio ao mundo. (Numa calada noite, eu então mais pelo Porto, telefonaram, parti em corrida...) Eram seis: o Pêro, a Tareja, o Urso, a Duna, o Soeiro e um último, cujo nome não me ocorre e foi cedo para o Ribatejo; nunca mais soube o que fosse dele. Dos restantes o Urso seguiu para a Bairrada, onde viveu, caçou e morreu de longa idade.
Já não assim com os quatro demais que ficaram em casa ou entregues a primos caçadores. E, infelizmente, todos com finais de vida carregados de dramátismo: envenenados, atropelados, esfaqueados à dentada por cães de maior porte...
Mas a ninhada era linda e admiradíssima em geral. E os seus membros denotando todos uma espantosa propensão para as perdizes. Estava-lhes no sangue...
Por seu turno, sendo a sua primeira (e única) criação, revelou-se a Minês uma mãe extraordinária, dava gosto vê-la apaparicar os filhotes. Foram, sem dúvida, umas tantas semanas de intensa felicidade familiar, até ao desmame dos cachorrinhos.