A Tasca do Açougue em Montalegre

Cheia como um ovo! Era um domingo, dia do Senhor e da Feira do Fumeiro em Montalegre. Num frio imenso, a maioria dos restaurantes dera já por finda a hora do almoço. Mas no cimo da vila, não longe o castelo, a Tasca do Açougue ainda esbracejava. E havia quem esperasse pacientemente uma mesa vaga para se sentar, encostados à lareira acesa, chamativa. Conforme aconteceu comigo.
Não obstante a azáfama, diga-se à laia de primeira nota positiva, o atendimento sereno, acolhedor, pairando acima dos frenesins das grandes cheias.
Assim consegui, improvisando, um lugar no topo de uma comprida mesa de madeira onde, pouco depois, abancou um grupo de sete. Em santa irmandade comigo.
Eu tinha pressa. Na lousa da parede o giz riscara toda a sorte das melhores carnes e enchidos do Barroso. Fiquei-me, todavia, por uma alheira precedida de um prato com bocados de queijo de cabra e um cestinho do pão de lá. Uma delícia demolhada em uma canequinha do maduro tinto da casa. Até que a alheira, cortesmente assada, chegou enfim, com batata cozida e couve galega, muito tempêro do bom e meio tomate, acidificando as gorduras inevitáveis do pitéu. Mesmo porque as batatas, cobria-as um passar de maionese de grande efeito.
Foi uma lição, uma festa culinária que até dispensou os prostes. Alheira e o acompanhamento, o queijo e o pão de centeio, o escorregadio tinto, rude e forte, encorpado, matador de todos os frios. Eis o que foi.
Saí bem almoçado. E mais almoçaria não fossem os afazeres que me levaram a Montalegre e a noite que ainda cai cedo.
Mas, com toda a certeza, voltarei breve - à Tasca do Açougue!