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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Brest

João-Afonso Machado, 15.04.24

O comboio deixara para trás uma cidadezinha feliz, onde sequer faltava o morro com as ruínas do castelo nele. Depois ensaiou umas curvas derrapantes, furou uma colina e deu de caras com o porto marítimo, a marina e a imensidão do Atlântico mais lá. Era Brest. Já com o sol a pôr-se...

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O poiso de dormida descobri-o pouco adiante. Chamava-se mesmo Hotel Gare e, muito ao meu gosto, tinha chaves para a porta, em vez do famigerado cartão no meu bolso... As águas permaneciam à vista e, antes do hamburguer e da fatal caneca, vagueei pelas proximidades do cais.

A manhã seguinte acordou ao som de conhecidos tocares escoceses em gaita-de-foles, no prédio ao lado.

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Foram horas cismáticas, centradas nos tormentosos mares da Bretanha. Algo distantes da cidade. Por isso me dirigi ao Posto de Turismo e pedi um mapa e informações sobre autocarros. Seria, também, um modo expedicto de conhecer, atravessar, Brest. E fui, não sabia exactamente para onde, para o ponto final daquele percurso do "2b". Aí chegado, o sentido de orientação dizia-me que o oceano estava para lá de um grosso bosque a poente. Parti nessa solitária direcção, calada e muda, um punhado de quilómetros de acentuado declive em que o mar se sentia aproximar. 

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Errei, contudo, a pontaria e fui dar a uma enseada cascalhenta, de todo esquecida, cercada de avisos de perigo para os pescadores e sem crença alguma no peixe.

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Um fiasco! - Madame, s'il vous plait, oú sommes nous? - inquiri quando, por fim, um automóvel passou e parou a um sinal meu. - Je ne sais bien mais ça c'est Le Grand Dellec - foi a resposta que me deixou abrindo o mapa, percebendo que perdera, algo mais a sul, o Fort du Dellec e uma promissora Pointe du Diable (sur la mère, il faut dire...)

Tornei ao esticão pedonal. Sempre sem vivalma no trajecto e sempre intimado pelo uivar do vento bretão. Talvez atento ao arvoredo circundante, tanto dele tombado pela raiz...

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Enfim, voltei à cidade. Abria-lhe as portas a elevatória Pont du Recouvrance, sobre o rio Penfeld.

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Será, no género, a segunda maior da Europa. E tudo nela circula: o tramway, os autocarros, os automóveis, as bicicletas, os peões. O rio, sob ela, tranquilo, portentoso de embarcações e amuradas, já com o estário à vista.

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Mesmo à ilharga, o castelo, hoje Museu Nacional da Marinha, um monumento oferecendo muitos ângulos à fotografia.

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A tarde prosseguiria rondando o porto e as docas, incapaz de lhes tocar. Não é de pesca que ali se discute, mas de cargas. Contentores poisados num cimento frio e tartamudeante.

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Na vizinhança, a marina, o lazer.

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Ela também inacessível. Brest parece não ter esquecido nem os seu heróis da Guerra Mundial nem os aramados que a farpearam então. Mas pelo aglomerado dos veleiros, há aventura para lá da História e da barra, em pleno Atlântico bretão.

 

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