Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Foi assim mesmo

João-Afonso Machado, 23.08.25

PALACE HOTEL.JPG

O convite foi quase uma imposição, a exigência de um preito de vassalagem. Mas correspondido num ímpeto curioso de saber das pessoas e dos lugares, tudo nomes cuja lenda atravessava distritos inteiros viajando com charlateiras de general mirando do cimo dos seus torreões palacianos.

O grupo compareceu, pois. Venceu todos os contornos de um portão verde, férreo de um ferreiro decerto famoso. E a seguir os jardins, como se pioneiros no Eden, ao som dos bandos de pombinhas, tantas que só podiam navegar por ali os casais completos da Arca de Noé. O Criador, todavia, subira já aos Céus e toda a autoridade em terra mantinha-a o pulso da nonagenária que por cá ficara, a sua viúva.

Alimentava-se do orgulho na obra que fora a vida vivida em comum. Gozava o seu fausto, o quarto amplo de paredes em madeira, um filme de fotografias de família espalhadas por todo ele. Tinha-se sido recebido nos aposentos da Senhora, fisicamente já debilitada, intelectualmente activíssima a tarde inteira.

Houve chá e bolachinhas de manteiga, criadas fardadas a rigor para servir. A Rainha, mãe de muitas mães, e avô de um número incontável de netos, acolhia com amabilidade mas sempre investida nos seus poderes, incluindo o de medalhar crianças com bombons. No hotel que fora o sonho realizado com o seu marido.

E essa apresentação, quem diria?, valeria também como a despedida final. Porque a Senhora iria ter com ele um mês volvido. E não voltaram ambos, vai lá um quarto de século já.

 

14 comentários

Comentar post