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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

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(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Montserrat, paisagem de converso na Catalunha

João-Afonso Machado, 15.11.24

Em Manresa eu avistara já os picos de Montserrat e, à passagem na estrada, dera também com o santuário neles incrustado. Aconteceu-me a vontade imensa, a muita curiosidade de um dia folgado de visita que chegou enfim.

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Não foi viagem demorada e, tivesse ficado cá em baixo, - sempre poderia utilizar o funicular mesmo até à pontinha da agulha.

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Mas o autocarro escalou e deu no mosteiro - de Nossa Senhora de Montserrat, a padroeira da Catalunha. Como é dos usos, muito atacado pela inevitável multidão. E sobejamente cercado pelas penedias. Coitado, pobre mosteiro, dali não fugiria jamais, assim comprometido. Mas eu sim, após a visita que se me impunha.

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Deste modo estive em oratórios mais reservados e subi escadas entupidas. Valeu a pena! Ganhei a emoção suprema da nossa Rainha Santa!!!

Explico como: degrau após degrau, entre mosaicos de tantas outras canonizadas, ela estava lá - a Rainha Santa, D. Isabel de Aragão, esposada com El-Rei D. Dinis. Ostentando as rosas do seu milagre e nunca esquecendo as armas do nosso Portugal a seus pés. Sempiternas, tal qual as querem votar ao esquecimento dos portugueses. Nós, os velhos, assim nos comovemos às vezes...

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Depois foi o tempo de procurar a grandeza de Deus na imponência e nos mistérios em volta.

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E tudo escorria da altitude. A euforia era mister ficasse longe.  Os cabeços caprichados na erosão dos sedimentos, o nevoeiro trazendo - levantando - os dons da Criação

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e a saudade das pernas que já só ficam pelo caminho... Sinalizando a vida é como é, e é frágil e passageira, só perpetua interrogações. (Cristo, eu sei, sofreste muito mais...) A vida, percebi, que respeita lugares de culto (e os incultos) e não esquece o poiso dos poucos capazes do isolamento. 

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Que os havia, disfarçados nas escarpas. Do seu historial? Pois nada aprendi, nem quis. O sinal era a meditação ou a contemplação, era o sinal bastante de um modo de vida sedutor. Improvável, impossivel, - mas sedutor e inóspito, despojado de prazos e projectos...

(Espreitando altitudes, jamais o vil turismo, apenas afirmando um modo diferente de viver muito sobre a cidade e o seu conforto.)

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E deste jeito permaneci até ao regresso, chorando a cabra montesa que só vislumbrei resvalando sob o rail da estrada, os seus quartos traseiros derrapando já nas imediações do cerro. Fugira da frente do autocarro...

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Montserrat é um mundo. Uma águia de olhar trocista sobre a cidade. Doi-me, mas é assim - doi-me ter chegado tarde, agora não mais do que um leitor atento mas marginal à paisagem.  No mundo do Criador enfunado de algumas floripes das criaturas. Tornar lá? - porque não, se a cabra montesa Deus a criou para regalo da nossa vista?

 

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