Pink Panther

Tarã, tarã... É imortal e vive agora no Porto, para desespero de Alfama, Mouraria e outros lugares finos dos estrangeiros endinheirados. Pink Panther, a mais famosa pantera do mundo. Tarã, tarã.
Denunciou-se, fotografada em flagrante, em plena Rua da Constituição. Manhã cedo, toda prosápia, Friz Freleng enchapelou-a, dotou-a de misterioso saco poisado no chão. Mas porquê a Constituição, tão tranquilamente burguês recanto tripeiro, e Pink Panther assim arredada do seu calendário nonsense? - Pink Panther que não tem horários, apenas o mundo inteiro, agora decerto mais centrado - tarã, tarã - entre acontecimentos imprevisiveis, ináuditos, insolentes, no Bairro do Lagarteiro. Tarã, tarã.
Podia ser imaginação, dirá alguém. Todavia Friz Freleng é um realista convicto. A Pantera, a verdade, nua e crua. Aparecendo aqui e ali - tarã, tarã -, como quem prega um susto aos incréus. E assim deram as sondas novamente com ela, Pink Panther, no andarilho ferroviário. Pink, always Pink, conquanto de auscultadores, gingando hip-hop, roupagem a condizer com a intempérie, guarda-chuva na baínha da espada. Tarã, tarã...

O viajante fixou o reencontro. Qual Inspector Clouseau. A Pantera dançou, mudou de linha. - Frit, caro amigo que cá não está, remate a história, faça esse jeitinho...
Trabalho do Clouseau? Ora, ora, isto é uma crónica, não uma longa-metragem. Despache-se, faça o favor. Então onde está residindo a Pantera, para a gente ir lá assistir ao seu despertar? É só isso! Tarã, tarã.