Leitoada em Ançã

Chegados a Ançã, logo inquirimos avidamente onde comer o ansiado leitão. Três esfomeados, eu, o meu filho mais novo e o velho amigo JB, um galaico-francês que deixou Guimarães aos seis anos e agora tem saudades, passa a vida cá.
Pois o leitão perguntado com tanta rapacidade estava apenas n'O Verdadeiro Pingão, poucos minutos adiante, logo no início da estrada para Coimbra, dita a Rua Padre José Fernandes Pata. Foi fácil dar com ele, um avantajado edifício.
Sentámos à vontade, num silêncio muito próprio de um almoço de terça-feira. E assim sentámos, assim chegaram as entradas - mexilhão em molho verde, o bom pão bairradino, patés, chouriço e queijos... Nada de transcendente mas tudo com muito cabimento na nossa terrena vontade de comer. De cada qual foi um pouco. E para beber, sem preciosismos, escolhemos um jarro (e depois outro) do branco frisante "da casa" - mesmo "da casa", ou melhor, da produção da Quinta do Pingão, vasta em vinhas - todo espevitado em gás, levezinho e bastante adamado.
O leitão esplêndido e muito bem cortado em nacos de generosa carne e tempêro. O molho à altura do acontecimento, não faltando as tradicionais rodelas de laranja e salada de alface, tomate e cebola. Nem as batatas fritas cortadas - foi o único senão - em palitos, quando todos as sonhávamos às rodelas.
Enfim: a sobremesa foi dispensada. Fica a nota de outras proezas do Pingão - a chanfana, o polvo à lagareiro e o bacalhau à "zé do pipo". E uma homenagem ao Sr. Olímpio, o proprietário deste restaurante que em 2026 completará 50 anos (meio século) de leitoadas em Ançã.

