Tal é o poder de Longines

Há um século quase ele é quem manda no Tempo. Dá-lhe ordens - Agora aceleras, alto!, nem tanto, vamos com vagar! - (De resto, é caprichoso...) E o Tempo submete-se, por vezes corre, outras arrasta-se, abrevia sofrimentos, prolonga a vida... Consegue mesmo sustê-la no giro das horas e das manhãs, assim não lhe dêem corda à noite.
Acomoda-se num bolso em que se sinta propriedade - sendo ele o todo-poderoso proprietário do Tempo - e chama-se Longines. Um nome que é uma luva no espírito e na arte de um senhor inconformado e liberto - inconformado e liberto, bem entendido, com e do tremendo despotismo tecnológico.
Longines surge então. Com bastante frequência, acrescente-se. Entre faíscas prateadas que são demolidores argumentos das mais avançadas cromometrias. É como se a elegância dos seus ponteiros logo aniquilasse números silenciosos, todos iguais no ritmo próprio das vozes subalternas. Ou mesmo da contagem decrescente da bomba-relógio que já arrasou os reinos vizinhos. E Longines tranquiliza-nos ainda nas suas relações com os comboios. Porque com eles e com os seus horários, sim, a sintonia e a cumplicidade são totais.



