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Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

Jam Sem Terra

(MAS COM AS RAÍZES DE SEMPRE)

"O dia calado das glicíneas" (bis)

João-Afonso Machado, 29.03.24

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Nada dirão hoje silenciosas

ante olhos em cantochão

cobiçando suas campainhas

 

nas longas vestes majestosas

dos seus lilases de rainhas.

 

E aos molhos despertarão

amanhãs e as gentes

as glicínias esparsas no chão

como sinos frementes, arremetidas

ígneas cores ecos, afinal flores

 

de vozes acreditando perdidas

no novo rei dos seus amores.

 

"Perdiz que voaste"

João-Afonso Machado, 01.03.24

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Dize do teu derradeiro voo,

ergue as asas levanta e diz

que te dás perdiz.

 

Dás-te graúda no alto mais alto dos ares,

mas aceita a tua sorte como assim lemos a morte.

 

Foi o teu salto,

foi o tiro, o teu porte.

Fui eu, foste tu

e o cão também,

nasceste tudo, acabaste ninguém

 

entre as estevas, o rosmaninho,

perdiz foste cheiro, aponte,

 

foste carreiro, foste monte,

alimento, disparo certeiro,

provento do meu cão feliz,

morte heroína,

matreira e genuína

tudo foste, minha perdiz.

 

"A minha ribeira"

João-Afonso Machado, 05.02.24

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Partirei outra vez a redescobrir minha ribeira

de areão e limpidez

cantando entre uma e outra leira,

 

manhã de algum dia

partirei outra vez.

 

Choupos e salgueiros, ramaria

do tempo hirto em cepos nas águas,

ribeira esquecida

onde fundei tantas mágoas.

Em verde corrida

 

partirei outra vez

entre uma e outra leira

até ao areão e limpidez da minha ribeira.